sábado, 17 de agosto de 2013

Muito longe do fim...

Como eu estive distante daqui... Como de repente se tornou tão difícil sentar e organizar as ideias, organiza-las e coloca-las no papel... Talvez seja reflexo desta nova fase, falta de tempo, falta de espaço, ou falta de equilíbrio mesmo... Seja como for, hoje me sinto a vontade para falar! 
Meu deus, como estes últimos dois meses passaram voando. Dia após dia, e todos eles preenchidos hora por hora com novidades e aprendizados. 

São sete e meia da manhã, mais uma vez eu estou atrasada, o ônibus sai às sete e quarenta... Talvez se eu não tivesse escolhido este sapato desconfortável chegaria a tempo; talvez se não tivesse que carregar tantas pastas, livros e cadernos também chegaria a tempo! Não, respire, respire, vai dar tudo certo! Me lembro o que ouvi dia desses: " Existem lugares em que você não é respeitado se não estiver bem vestido". É...   Este é o tipo de coisa que faz todo o sentido quando se tem 18 anos... Enfim, chega de reflexões, o ônibus chegou. Subo os degraus do ônibus, hoje não está tão cheio... Poderia estar pior! Me sento na cadeira individual, coloco as pastas e a bolsa gigante sobre o colo e aproveito a vista da janela. Olho as pessoas pela janela e imagino se elas sabem o quanto eu estou me esforçando e dedicando toda a minha capacidade para que elas tenham uma vida cada vez melhor, e um olhar mais otimista sobre a nossa sociedade... É, provavelmente não sabem...No fundo eu as entendo, eu também por muito tempo não quis saber. Depois de algum tempo, cheguei! Mais um dia... Antes de entrar olho para a paisagem, que vista linda, que inspiração. Eu poderia escrever a noite toda e ainda sim não conseguiria explicar a tranquilidade que me dá olhar sobre aquelas janelas grandes, toda aquela imensidão verde, todo aquele céu azul, todo aquela movimentação silenciosa e distraída... Da vontade de cuidar, da vontade de proteger, não da pra explicar.

O dia passa rápido, lá dentro, tudo se movimenta de forma rápida e intensa! Cada fração de segundo é importante, cada palavra, cada bom dia... Não gostaria nem por um minuto que fosse diferente. Os dias passam e todo dia é dia de aprender! De cair e levantar, de chorar e rir, de se sentir sozinha e cinco minutos depois se sentir amparada e querida. 

Meus dias são cheios de altos e baixos, e por mais difícil que algum deles terminem, tudo sempre melhora na semana seguinte. É a famosa dialética... Todo dia, tudo se renova, inclusive minha força e vontade de continuar na luta. 












segunda-feira, 24 de junho de 2013

Desneurando: Um novo começo



Quando eu era pequena costumava passar as tardes brincando sozinha com bonecas, lousas e materiais de escritório. Todos os dias eu me reinventava; Se um dia era advogada, no outro era médica e professora. Fui veterinária, cozinheira, mãe, professora... Infinitas possibilidades e apenas uma certeza: Eu sempre quis ser! Ser forte, ser importante, ser o que eu quisesse ser, na hora certa. O tempo passou, muita coisa mudou... Eu fui de jornalista a promotora. Sempre carregando na mochila a vontade de ser grande e mostrar para todos o que eu podia ser e fazer. Em meio a todas estas escolhas e caminhos diferentes, eu sempre mantive a esperança de que um dia o meu dia chegaria... E hoje que este dia chegou, são nesses pequenos preciosos momentos em que eu me apego. Lembrando do primeiro texto, do primeiro grêmio, das aulas de Sociologia, ou de músicas que eu ouvia de bobeira e me davam vontade de continuar, sei que tudo o que eu consegui está atrelado a uma fila gigantesca de pessoas que acrescentaram muito na minha bagagem. Me ensinando a dar os primeiros passos, comer de garfo e faca, me explicando sobre responsabilidades, caráter e humildade... Todos vocês... Todos que passaram, ficaram, e os que foram e um dia irão de voltar... É a vocês que eu devo tudo o que eu sou, e é por vocês que eu vou continuar sendo. 
Sendo a menina pequena que tem sonhos grandes; Sendo alguém que quer chegar muito longe, mas sempre voltando para casa... Sendo quem hoje se compromete a dar a vida pelo povo que lhe moldou.
Agora, tudo está diferente, o verbo "ser" mudou para "como fazer"... Em meio a prédios grandes, oportunidades gigantes e responsabilidades imensas, tudo na minha vida tomou proporções diferentes agora. A onda que de longe parecia grande, agora está ainda maior, quebrando em cima de mim e me arrastando para todos os lados. Esse mar que já não me da mais pé, tende dia sim, dia não, me puxar para baixo; Mas eu aguento! O fôlego e a vontade de chegar ao topo serão meus propulsores e por mais cansativo que possa parecer, é a emoção e vontade prevalecida sobre todo peso que me dão o que é necessário para continuar. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Desneurando: Um meio ou uma culpa




Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.

Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.
O sucesso é construído à noite!
Durante o dia você faz o que todos fazem.

Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial.
Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.
Não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.

Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.
Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende de dedicação, há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores pois...
Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO.
Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Desneurando: Os bilionários e a fome do mundo.

De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, o mexicano Carlos Slim, dono de negócios no ramo de telecomunicações em 18 países, com uma fortuna avaliada em US$ 78,4 bilhões, é o maior bilionário do planeta. 




Depois dele, vem o cofundador da Microsoft, o norte-americano Bill Gates, com fortuna de US$ 65,8 bilhões, seguido pelo espanhol Amancio Ortega, fundador do grupo têxtil Inditex, dono da marca Zara, com US$ 58,6 bilhões. A soma dessas três maiores fortunas atinge US$ 202,8 bilhões.

Pelo lado dos brasileiros, os quatro maiores bilionários são: Jorge Paulo Lemann, investidor controlador da Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, com fortuna avaliada em US$ 19,6 bilhões. Em segundo lugar vem o banqueiro Joseph Safra, com patrimônio de US$ 12 bilhões. O terceiro e quarto lugares, respectivamente, ficam com Dirce Camargo, herdeira do grupo Camargo Correa, com fortuna estimada em US$ 14,1 bilhões e, com o empresário Eike Batista, com fortuna avaliada em US$ 11,4 bilhões. A soma das fortunas desses quatro maiores bilionários brasileiros atinge a cifra de US$ 57,1 bilhões. Já a fortuna somada desses sete "imperadores do dinheiro” chega a US$ 259,9 bilhões.

De um lado, rios de dinheiro; do outro, um oceano de tristeza e miséria evidenciada pela fome e subnutrição que atinge, segundo dados da FAO (Fundo para a Agricultura e Alimentação), 1 bilhão de pessoas no mundo. Os que todos os dias tem estômagos vazios e bocas esfaimadas são 14% da população mundial, um entre seis habitantes.

Com US$ 44 bilhões (17% da fortuna dos 7 bilionários citados) resolveria o problema desse 1 bilhão de famintos espalhados pelo mundo. O drama da fome é tão intenso que dizima uma criança com menos de cinco anos de idade a cada minuto. Isso mesmo: uma criança menor de 5 anos morre a cada 60 segundos vítima da falta de alimentos em seus estômagos. Isso porque estamos num mundo em que a produção de grãos (arroz, feijão, soja, milho e trigo) seria suficiente para alimentar mais de 10 bilhões de pessoas.

Somente o Brasil, terceiro maior produtor de alimentos do mundo, atrás apenas dos EUA e da China, verá sua safra de grãos aumentar em mais de 20% na próxima década. No entanto, essa ignomínia chamada fome vai derrubando corpos inocentes ao chão também em nosso pedaço de terra. A situação aqui não é muito diferente da mundial. Em meio às controvérsias em torno do real número de famintos (50 milhões para a FGV, 34 milhões para o IBGE e 14 milhões de pessoas para o governo federal) a fome oculta (caracterizada pela falta de vitaminas e minerais que afeta o crescimento físico e cognitivo, bem como todo o sistema imunológico) atinge 40% das crianças brasileiras. No mapa mundial da subnutrição, estamos na 27ª posição, com 9% da população.

Em pleno século 21, num mundo em que a tecnologia desenvolve técnicas apuradíssimas para clonar tudo o que bem entender, a fome mata atualmente mais pessoas do que a Aids, a malária e a tuberculose juntas. Numa época em que o dinheiro corre solto pelos cassinos e praças financeiras em busca de lucro e especulação, a Syngenta, multinacional suíça da área agrícola, investe todos os anos a importância de US$ 1 bilhão em pesquisas agrícolas, mas fecha as mãos para a ajuda internacional aos famintos.

Nunca é demasiado lembrar que habitamos um mundo em que o custo diário para alimentar uma criança com todas as vitaminas e os nutrientes necessários custa apenas 25 centavos de dólar. Contudo, em decorrência da desnutrição crônica, cerca de 500 milhões de crianças correm risco de sequelas permanentes no organismo nos próximos 15 anos. De acordo com a ONG (Salvem as Crianças), a morte de 2 milhões de crianças por ano poderia ser prevenida se a desnutrição fosse combatida.

Mas, poucas são as mãos levantadas em prol dos famintos do mundo. A preocupação dos "Imperadores do Mundo” é outra. Refresquemos a memória em relação a isso: em apenas uma semana os líderes das maiores potências do planeta "fizeram” surgir 2,2 trilhões de dólares (US$ 700 bilhões nos Estados Unidos e mais US$ 1,5 trilhão na Europa) para salvar instituições bancárias no auge da crise econômica que se abateu (e ainda vem se abatendo) sobre as mais importantes economias mundiais desde 2008.

Se a preocupação fosse salvar vidas de desnutridos, incluindo a vida de 900 mil crianças no mundo (30% delas residentes em Burundi, Congo, Eritréia, Comores, Suazilândia e Costa do Marfim), esses mesmos "imperadores” tirariam dos bolsos a importância de US$ 25 milhões por ano, que é o custo estimado para salvaguardar com nutrientes esse contingente de crianças até 2015.



Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana - Cuba

Texto extraído do site: http://www.vermelho.org.br/

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Na faculdade: Volta as aulas!!!














Quem me segue nas redes sociais ou acompanha o blog já a algum tempo, sabe que eu estou no segundo ano de direito e gosto sempre de fazer alguma postagem contando sobre alguma informação que eu achei bacana ou um artigo que escrevi sobre algum tema interessante. A postagem de hoje é sobre o que a faculdade de Direito representa na minha vida em particular, e como eu faço pra levar este cotidiano corrido sem cair na monotonia.

O curso de Direito ao meu ponto é um dos cursos mais fechados e conservadores ainda nos dias de hoje. Principalmente se você é mulher, recém saída do ensino médio e louca por fofurisses.Uma das maneiras que eu encontrei para driblar as adversidades como a subestimação de pessoas mais velhas, principalmente homens já formados e tudo mais, foi sempre mostrar que mesmo nova eu tinha propriedade sobre o que estava falando. Sempre ter humildade para admitir a inexperiência em determinada área ou pedir uma explicação, conselho ou dica é sempre uma boa pedida. Eu acho que quando você toma essa postura de compartilhar as informações e as ideias você automaticamente desarma a outra pessoa, permitindo que vocês estabeleçam este tipo de diálogo mais aberto. 

Outra coisa bacana é sempre ter a sua forma de levar a faculdade. Durante os três primeiros meses eu tentei me adequar ao padrão jurídico, carregando para lá e para cá livros com quinhentas folhas, tentando aderir uma linguagem mais rebuscada, e tudo mais, e honestamente, sabe o que isso me causou? Uma decepção enorme! A verdade, é que não importa a maneira como você vai, a maneira como você guarda suas apostilhas, nem quais são os seus métodos de estudos. O importante mesmo, é ser bom e ser apaixonado por aquilo que você realmente gosta de fazer. 

Dentro da faculdade de Direito eu aprendi a ter disciplina, respeito, pontualidade, dedicação para estudar, e compreendi que as vezes é muito melhor ouvir do que falar, pois se tratando do direito muitas poucas verdades são absolutas e todo o resto é muito subjetivo a opinião de cada um. Eu ainda tenho muito o que aprender, e com certeza ao longo desse trajeto também sei que vou compartilhar muito das minhas opiniões, bem como ter um novo ponto de vista sobre determinados assuntos. Mas estes são riscos que eu estou ansiosa para correr!  Com o começo do ano letivo se aproximando desejo a todos que assim como eu, estão em busca de uma formação completa e a tão esperada carteira do advogado, um maravilhoso ano letivo, e que muitas oportunidades surjam todos os dias. E que tenhamos a chance de nos encontrarmos nos tribunais daqui há alguns anos!

A força do direito deve superar o direito da força.
Rui Barbosa


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Crônica: Mulher da boca vermelha.



Fraca. Se Helena pudesse ser descrita em uma palavra, esta seria "fraca". Branca demais, magra demais, indefesa demais. Às vezes tinha a impressão que seus próprios passos poder-lhe-iam quebrar as pernas. Era de longe a ponta mais fraca da corda, apenas esperando que alguém viesse cortá-la. Não falava, não sorria, não amava, mas escrevia. Enquanto caminhava com suas pernas finas e brancas pela rua, olhando para a ponta de seus sapatos, em sua mente podia enxergar centenas de palavras alvoroçadas para saírem. Implorando para que fossem libertadas. No mundo real Helena sabia que não tinha chance de mostrar a todos a grandeza da sua dimensão paralela, então apenas se calava e escrevia. Em seu interior havia uma dominadora que organiza e manuseava letra por letra, obrigando-as a se encaixarem e formarem a história que ela precisava contar, nem que fosse pra si mesma.

Nunca teve ponte com o mundo real, nunca quis fazer parte deste lugar. Sentia-se descartável. Não tinha país, irmãos, amigos, e seu único contato com o amor era o que inventava e datilografava em sua máquina velha. No entanto mesmo com toda essa aversão, queria deixar seu legado. Nas poucas horas em que passava longe daquela velha máquina, se questionava quanto a existência de alguém semelhante a ela no mundo. Olhava para cima e procurava por alguém que partilha-se dessa mesma fissura de querer estar dentro de si, no próprio reino. Talvez um garoto, ou uma futura geração de sua própria família; Talvez alguém que falasse outro idioma, em outro fuso-horário. Independente de como ou quando encontrasse, sabia que encontraria, e então escrevia. As vezes por mais de oito horas, até que seus dedos inchassem e calejassem. Queria deixar sua marca na história, queria ter uma história, ou várias. No final de cada obra fazia questão de pegar o batom vermelho, aquela única lembrança que havia sobrado de sua mãe já falecida, e o passava cuidadosamente pelos lábios sempre pálidos. Segurava o papel como quem segura a vida e o beijava delicadamente. Como se entregasse parte de sua alma e todo o seu amor. História por história. Pilha sobre pilha, até o fim de sua vida. 

Os escritos de Helena nunca foram editados, publicados, ou reconhecidos como obras de arte e grandes contribuições para a literatura do país. Mas foram encontrados... Por mim, em uma pequena casinha abandonada. Papéis amarelados, paredes úmidas, insetos ameaçadores por todos os lados. Definitivamente não havia sopro algum de vida naquele lugar. Apenas histórias datilografadas, rabiscos pelas paredes e uma velha máquina de escrever de cor verde que agora possuía ferrugem e teias de aranha. 

Gosto de imaginar que ela está compactada em suas histórias, esperando que alguém apareça e leia seus escritos, compreendendo sua complexidade, amando-a e fazendo-a se sentir viva como nos contos que escrevia fervorosamente. Vibrante como o contorno de sua boca avermelhada, que a fazia se sentir pela primeira vez forte, pela primeira vez como um personagem real. Era Helena, não de Troia, nem de Esparta, nem de nenhum outro homem, era apenas Helena. Helena dos livros, era a Helena senhora de si mesma.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013














Trabalho análogo ao escravo – Medidas preventiva 

Situação: Em meado de agosto do ano passado a MRV Engenharia, a maior construtora e incorporadora do país em seu segmento e uma das maiores parceiras do Programa Governamental Minha Casa, Minha vida, teve uma queda em suas ações que chegou a 5% e uma multa por danos que chegou a R$ 10 milhões de reais por ter seu nome incluso em um cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo, administrado pelo Ministério do Trabalho.

O cadastro foi instituído pela portaria interministerial 2/11, e em sua última atualização realizada no dia 28/12/2012 cerca de 410 pessoas físicas e jurídicas foram flagradas cometendo infrações contra os trabalhadores. A inclusão do nome do infrator no cadastro ocorre após decisão administrativa final relativa ao auto de infração, lavrado em decorrência de ação fiscal, em que tenha havido a identificação de trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravo. 

Durante o período em que os empregadores então com o nome no cadastro não recebem financiamento com recursos públicos, e acabam em muitos casos, como o da MRV Engenharia, acarretando uma série de conseqüências gravíssimas, bem como exposição popular, constrangimento perante a opinião e administração pública sem pautar os prejuízos irreparáveis de ordem econômico-financeira. 

Legislação: Artigo 149 – Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregado ou preposto:

Pena – reclusão de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo primeiro – Nas mesmas penas incorre quem:

I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho;
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador com o fim de retê-lo no local de trabalho.

Parágrafo segundo – A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:

a- Contra criança ou adolescente;
b- Por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.


Proposta: Como explanado a cima uma ação contra determinada empresa com alegação de trabalho análogo ao escravo, pode render prejuízos incalculáveis e extirpar a boa imagem de uma empresa. Pensando nisso, creio que seja de extrema importância fundar uma espécie de assessoria com a finalidade de orientar nossos clientes empregadores, para que eles tenham mais segurança quanto à relação empregador/funcionário, poupando-lhes de contraírem tamanhos problemas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Desneurando: Garotas imortais.



Quando eu era criança, todas as tardes após a escola eu costumada me sentar em um pequeno sofá cor de rosa - escolhido pela minha mãe especialmente para mim - e assistia todos os dias a um filme diferente. Dentro da minha pequena e preciosa coleção estavam os clássicos e mágicos "Bonequinha de Luxo - 1961", "Uma linda mulher - 1990", "Material Girls - 2006", "Moulin Rouge - 2001" entre muitos outros filmes épicos. O que tudo isso tem haver com o post de hoje? É que ontem quando estava no fundo de uma depressão absoluta, regada a chocolates e lenços com caixinha colorida e estampada, enquanto me deleitava com a diva Marilyn Monroe no grande sucesso " Os homens preferem as loiras", me dei conta de que o que fascinava naquele universo paralelo de jóias e sapatos, compras na Gucci, Prada, e diversas outras lojas nada populares, não eram esses atrativos combinados a mulheres lindíssimas que arrancariam suspiros até mesmo do Dalai Lama. O que me hipnotizada e me fazia por segundos velejar em pleno asfalto era a confiança e quantidade de amor próprio que esses ícones eternos me passavam. 
Estamos em uma era de coisas rápidas e descartáveis. Um tempo em que os homens estudam noções básicas de psicologia para encontrar formas cadas vezes mais sutis e cruéis de quebrar o coração de uma garota. Somos substituídas, traídas, humilhadas, e descartadas como uma bolsa velha cuja qual a alça estourou. Independente de por quantos momentos você tenha se mantido fiel e linda, sua hora vai chegar, é trágico, no entanto verídico. Amamos, compartilhamos, desmoronamos, choramos e engordamos; Esse é o destino trágico de nós mulheres, que conseguimos domar a selva de pedra, fincar nossas bandeiras no mundo dos negócios, e mesmo assim continuamos incapazes de domesticar estes previsíveis e pouco inteligentes seres de duas patas e duas cabeças.  
O meu conselho é que você, mulher, se valorize. Antes de se quer cogitar em dar um presente, se presenteie. Antes de amar outra pessoa, se ame, antes de entregar seu coração, tenha a compreensão que pode não ser recíproco. Sinta, goste, se divirta, mas saiba a hora de parar. Por que um relacionamento com sigo mesma é o único, eterno e verdadeiro possível de se ter nesta vida. 


Uma garota sábia beija mas não ama, escuta mas não acredita e parte antes de ser abandonada.

Marilyn Monroe

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Na faculdade: O trade dress e a lei da propriedade industrial na atualidade.



O Conjunto de imagem, conhecido popularmente pelo termo em inglês trade dress, consiste em um conjunto de características, que ajudam a compor a figura de uma marca, podendo incluir, um esquema de cores, formato de embalagem, configurações do produto, sinais, frases, fontes de letras, texturas, ou ornamentos em geral, que são capazes de identificar um determinado produto, e diferenciá-lo dos demais. 

É comum encontrar dentre o meio do comércio empresas menores que tentam usufruir indevidamente de uma marca de porte maior, utilizando-se de uma cópia sutil, plagiando aspectos elementares para o reconhecimento de determinada marca. 

Essa vértice do direito, diga-se de passagem, ainda muito recente, tem como fim a proteção do conjunto da imagem, mas encontra diversas barreiras por se tratar de uma área considerada nebulosa, pelo fato de não haver uma legislação própria que resguarde o conjunto da imagem como um todo. 

As ações judiciais referentes ao conjunto de imagem tornam-se cada vez mais freqüentes no Brasil, e em sua grande maioria estão relacionadas aos produtos farmacêuticos, seguidos por cosméticos e bebidas. 

Segundo a Lei 9.279/96 que regula sobre a propriedade industrial, se o conjunto da imagem em si não estiver registrado na forma de marca, e for imitado, o mais adequado seria uma ação fundamentada com base nos conceitos da concorrência desleal. No entanto, com a ausência de uma legislação discricionária quanto à proteção do conjunto de imagem, torna-se subjetivo ao juiz julgar procedente ou não determinada ação. De modo geral os tribunais levam em consideração a classe do consumidor para qual o produto é direcionado. Resultando em uma insegurança por parte das empresas quanto à proteção do trade dress. 

Notoriamente ainda há muito o que desenvolver quando se fala de propriedade industrial no quesito de conjunto de imagem. O primeiro passo para este progresso é a explanação dessa área do direito e a discussão sobre o que deve ou não ser considerado crime quanto a este tema. Devemos encarar a réplica indevida de determinado padrão como uma violação gravíssima contra o direito da propriedade industrial de forma geral, e do ainda não previsto em lei, conjunto de imagem.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Crônica: Longe para todo sempre.



Era Julho, mês de férias...Quando tudo pode acontecer. Por mais incrível que pudesse ser se aventurar na estrada rumo a uma cidade maravilhosa, por mais excitante que fosse o inesperado, algo em mim estava amargo. Desde a partida, desde o momento em que deixávamos para trás as luzes de São Paulo em uma madrugada qualquer. 
Embaixo do cenário fantástico aonde antes trocávamos juras de amor, desça vez existiu apenas um silêncio agonizante. Estar ao seu lado sempre foi motivo de alegria, mas não desta vez. A sua simples presença me cortava como estilhaços de vidro e eu nem podia te explicar o porque. Naquele tempo eu já sabia que era o começo do fim, nós só não havíamos nos conformado com isso ainda. 
Hoje, muito tempo depois, mesmo querendo com toda força, eu não consigo me lembrar da dor, do amor, ou de qualquer outro sentimento referente a você. Eu construí sozinha uma muralha troiana com cada pedra que você atirou em mim. Agora você não passa de uma música ruim, da qual eu me esqueci a letra, completamente sem melodia. Você! Como eu posso considerar trazer de volta quem me trouxe tanta dor e sofrimento. Por questão de honra eu deveria arrancar seu coração com as mãos e quebra-lo em partes, semelhante ao que você fez com o meu orgulho, meu amor, e minha confiança. Mas não... Minha honra será lavrada com as minhas conquistas e não com os meus maus feitos sobre você, ou sobre qualquer um. 
Então, no que se diz respeito a todo o mal que você causou, eu te perdoo, por que sei que a pena de se olhar no espelho depois de tanto mal, será muito intensa e comprida. Apenas peço que se afaste, e que não perca seu tempo ou seu orgulho vindo atrás de mim... Eu te avisei que este dia chegaria, mas quando eu te disse você estava ocupado demais olhando para os lados. 
Viva a sua vida, seja livre e lhe desejo tudo de bom, porque eu sem dúvida estou livre, vivendo a minha, com tudo que pode haver de melhor nesse mundo. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Desneurando: Crimes horrendos, penas cruéis.



Entidades que compõem o Fórum da Questão Penitenciária denunciaram o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, pelas más condições do Presídio Central de Porto Alegre, na capital gaúcha. A denúncia aponta a precariedade das instalações, a falta de saneamento, a superlotação da população carcerária e a "perversa relação de comprometimento entre os detentos do presídio".
Os denunciantes querem que a OEA pressione a União para intervir no Estado visando à correção dos problemas, identificados desde a época da CPI do Sistema Carcerário, da Câmara, que classificou a unidade prisional como a pior do país.
Em novembro passado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reconheceu a situação crítica dos presídios do país e disse que preferia a morte a uma longa pena no sistema prisional brasileiro. "Se fosse para cumprir muitos anos em uma prisão nossa, eu preferiria morrer", afirmou Cardozo, em durante um encontro com empresários paulistas.
Segundo a Ajuris - Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, uma das entidades que integram o Fórum da Questão Penitenciária, o presídio de Porto Alegre, construído em 1959, tem capacidade para 1.984 presos, mas abriga 4.086. Entre as 20 medidas cautelares propostas pelas entidades está o pedido de separação dos presos provisórios daqueles já condenados.
Na última terça-feira, 8, após reunião com o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, na qual avaliaram a situação dos presídios brasileiros, o ministro da Justiça reafirmou a meta do governo de criar 42 mil novas vagas do sistema prisional ao longo dos quatro anos do mandato da presidente Dilma Rousseff, ao custo de R$ 1,1 bi, mas admitiu que o número será insuficiente para suprir a carência de vagas.

Opinião: Quando ouvimos ou vemos as mídias brasileiras noticiarem um crime, quase que instantaneamente nos indignamos. Tudo bem, é natural do ser humano sentir empatia decorrente de comoção e revolta em casos de crimes cruéis e desumanos. Mas não deveríamos sentir revolta ao verificar as condições desumanas em que o sistema carcerário brasileiro se encontra? É dever da União, em face do poder judiciário sentenciar os infratores e criminosos as suas penas pertinentes. Sentenciados, cessa a partir daí, o poder do Estado de agravar a pena ou torna-la cruel. Está previsto constitucionalmente que tão crime quanto cometer um crime é punir o infrator com pena desumana. 
Tratando-se de uma realidade pouco vista em que em penitenciárias femininas, as mulheres clamam todos os dias por mais pão, para utilizarem como absorvente intimo, uma vez que o sistema prisional fecha seus olhos para as necessidades humanas de subsistência, fica claro que mesmo sem pena de morte o Brasil atual sentencia seus criminosos a penas terríveis e inescrupulosas, totalmente contraditórias a um país que constantemente julga-se em desenvolvimento. 
Como na essência, não devemos nos esquecer de que as instituições carcerárias tem como finalidade primordial resguardar o individuo de sua vida em sociedade até que ele se encontre recuperado para retornar ao convívio social sem oferecer risco nocivo a qualquer um que seja. No entanto, nos deparamos com escolas do crime que se tornam incontáveis vezes piores do que o crime encontrado no meio social. O Estado deve mudar sua forma de ver e tratar a população carcerária deixando de ter o propósito de punir e castigar para recuperar e ensinar. Ao meu ponto de vista, vejo apenas esta medida como solução eminente para um problema que cresce em números alarmantes diariamente. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Desneurando: Boa ação seguida de organização.




Com a chegada do ano novo, renovam-se os ânimos e explodem chuvas de promessas para cumprir durante o novo tempo. Emagrecer, poupar dinheiro, estudar mais, aquela promessa de aquisição que você namora a meses; Eu, particularmente coloquei no topo da minha lista de promessas ser uma pessoa mais organizada no decorrer deste 2013. O primeiro passo para tornar real a minha promessa de organização foi me livrar de tudo que já não tinha utilidade, não servia, ou coisas das quais simplesmente eu gostaria de me desfazer. Acho que conforme o tempo passa, a personalidade muda, assim como as nossas prioridades e vontades. Sendo assim, me livrei de grande parte das roupas, acessórios de decoração e objetos em geral que já não se encaixavam nessa minha nova fase. 
Para começar essa revolução dei uma volta pela cidade procurando entidades que aceitavam doação de brinquedos, roupas, e etc, para que as minhas coisinhas antigas pudessem animar ou ajudar outras dezenas de pessoas. Por fim, encontrei uma creche comunitária em que uma senhora bem simpática me informou que eles aceitavam todos os tipos de doação, pois eles revendiam tudo para conseguir manter a creche funcionando;  Não preciso nem falar, que não pensei duas vezes antes de decidir que seria ali que eu despejaria meu acervo de lembranças antigas. 
No sábado de manhã, acordei com sede de mudança, tomei um café da manhã bem reforçado e logo comecei a pegar no batente. Não houve um canto, uma caixinha, uma repartição do meu quarto em que eu não mexi, ou separei algo para a doação. Foram toneladas de papel, roupa, bijuterias, ursinhos de pelúcia, sapatos, maquiagem, e mais um zilhão de coisas. Por fim, quando terminei, me sentei na porta do quarto e percebi que aquela atitude mesmo que pequena, foi a melhor terapia para mim em séculos. Foi como literalmente abrir a porta para as novidades da vida entrarem. 
Quando tudo estava terminado, percebi que a partir daquele momento em que tudo estava organizado da maneira que eu decidi, eu poderia ser e ter o que eu decidisse, como se uma etapa da minha vida se acabasse ali, dando espaço para a próxima, com novas roupas em novos momentos, mais lembranças, mais presentes, mais histórias para contar... histórias que ficaram guardadas no meu baú da memória, renovam-se  de ano em ano, até o fim.
Após toda essa faxina física e moral fui ao shopping comprar alguns apetrechos que eu usaria agora nesta nova fase, e uaaau... a tempos não me lembrava de como era bom planejar e executar essas mudanças, que mesmo pequenas e simplórias dão um gás a rotina. 

Tendo em vista todas essas mudanças, consultei a internet para procurar algumas dicas de como manter essa minha nova organização "organizada" e olhem só que bacana o que eu encontrei...

- Leve esse pensamento adiante. Toda vez que vir algum objeto fora do lugar porque ele simplesmente não tem lugar em casa, pergunte-se se ele não poderia ser exposto e utilizado na decoração. Muitos decoradores fazem isso com malas antigas, cadeiras, chaleiras, vasos, bonecos etc.


- Nunca mais deixe de pagar uma conta porque não sabe onde a colocou! Tenha em casa uma única pastinha onde você guardará todas as contas a serem pagas. Você pode deixá-la na entrada de casa ou no carro, ou na bolsa. Quando pagar, arquive corretamente. Deixando suas contas a pagar em um único lugar, você economiza tempo e não perde prazos.


- Quer ter uma casa organizada? Destralhe-a antes. Doe, recicle, dê de presente, venda, jogue fora tudo o que você não usa ou não ama. Tenha em casa somente aquilo que tem valor para você, e verá como ficará mais fácil colocar tudo no lugar.



Espero que tenham gostado do post. E vocês quais são as suas promessas para 2013? Como vocês fazem para manter a casa/ quarto organizados?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Espaço Literário: Descrever para emocionar.


A capacidade de descrever é tão importante na comunicação que Pascal chegou a dizer que 'eloquência é a pintura do pensamento'. Ou seja, segundo o grande pensador, é eloquente aquele que com as palavras consegue pintar o quadro que está em sua mente.
Os grandes oradores, de maneira geral, possuem extraordinária habilidade para descrever cenas reais ou imaginárias. É assim que envolvem ou persuadem os ouvintes.
Waldir Troncoso Peres, um dos mais extraordinários oradores da história do Direito do país, quando compareceu à conclusão de um dos nossos cursos de expressão verbal, falou sobre a importância dessa habilidade na comunicação.
Ele comentou que o poder de descrição usado pelo famoso advogado criminalista italiano Enrico Ferri era tão eloquente que quando descrevia uma locomotiva atropelando uma criança, os ouvintes se levantavam com a impressão de que a máquina estava atravessando o plenário.
O próprio Troncoso Peres sempre foi um orador eloquente também pela habilidade com que descrevia cenas ou as criava na imaginação do público. Ao falar da sua paixão pela advocacia, descreveu o fato com tanta expressividade que deu a impressão de que era perseguido, agarrado e quase sufocado por sua atividade:
- Porque quando eu estava cansado da advocacia, e eu ia descansar, só me retemperava na advocacia. Num processo de obstinação patológica. Porque eu sempre a amei, porque ela vive dentro de mim, porque ela está incorporada a mim. Porque ela é minha companheira, porque ela não se descarta de mim, porque ela não me é infiel, porque ela não me dá trégua, porque ela me persegue. E apesar de tudo isso eu a amo.
Procure ler esse discurso falando rápido, como se estivesse querendo fugir de uma perseguição. Assim compreenderá e sentirá melhor a competência da descrição do orador.
Outro comunicador excepcional, que soube como ninguém usar a capacidade para descrever foi o saudoso Fiori Gigliotti. Era um verdadeiro artista da palavra. A maneira como descrevia as jogadas transportava o ouvinte para dentro do campo de futebol.
Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira. Era assim que Fiori avisava ao torcedor que o jogo havia terminado. Essa e outras frases marcaram sua longa trajetória narrando jogos de futebol.
Ele sabia como poucos descrever e criar cenas que mexiam com a emoção dos ouvintes. Transformava jogos sem muitos atrativos em espetáculos inesquecíveis.
Um de seus méritos era narrar o jogo exatamente como ele ocorria, só que da maneira como o torcedor gostaria de ouvir. Fazia com que as pessoas se sentissem dentro do estádio, acompanhando lance por lance cada momento da partida. O início já era uma emoção com mais uma de suas famosas frases: 'Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo, torcida brasileira'.
Nós, interioranos, sempre tivemos muito orgulho em ver um jogador que havia pertencido ao nosso time atuando numa grande equipe. Por isso, mexia com esse sentimento ao dizer: 'Balão subindo, balão descendo, cabeça na bola aliviando. Pelé tenta passar e não passa, a bola fica com Dudu, o moooço de Araraquara'.
O encerramento do jogo era mais emocionante ainda, pois o torcedor da equipe que estava vencendo ansiava por aquele momento, enquanto o do time perdedor rezava para que o jogo continuasse, mas, como ele mesmo dizia 'agora não adianta chorar' e encerrava: 'apita o árbitro, fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira'. Que saudade do Fiori Gigliotti!
Em certas circunstâncias a descrição, deve servir apenas para tornar clara determinada informação e ajudar o ouvinte a acompanhar com mais facilidade o desenvolvimento do raciocínio. Em outros momentos, ela deve criar imagens na mente do ouvinte para sensibilizá-lo e envolvê-lo com a proposta da mensagem.
Veja a diferença de dois discursos políticos que falam do mesmo tema. Na hipótese A, embora a mensagem seja verdadeira, dificilmente conseguiria persuadir os eleitores. Na hipótese B, ao usar o recurso da descrição, as chances de conquistar votos são maiores:
A - Se eleito, prometo asfaltar e iluminar as ruas deste bairro.
B - Vocês têm sofrido muito por causa da falta de asfalto e de iluminação. Quando chove, as ruas viram um verdadeiro inferno. Vocês são obrigados a caminhar na lama, sujar os sapatos e a roupa.
Quando faz sol a situação pode ser ainda pior. É só bater o vento e a poeira vai para dentro de casa, sujando a roupa que está no varal, as cortinas, os lençóis da cama.
A falta de iluminação se transformou em motivo de desespero. Quem consegue dormir sossegado enquanto os filhos não chegam do trabalho ou da escola? Quantos já foram assaltados e, infelizmente, até estuprados porque são obrigados a caminhar sozinhos, sem proteção à noite pelas ruas escuras.
Nós podemos mudar essa situação. Basta que me elejam como seu representante na Câmara Municipal. Em outubro, votem em mim para vereador.
A descrição mais detalhada dos fatos pode fazer com que os ouvintes percebam de forma mais clara os problemas que estão enfrentando e se sintam motivados a ter ao seu lado alguém interessado em solucioná-los.
Embora o exemplo tenha sido da fala do político, o recurso da descrição pode ser utilizado em todas as situações.
O risco de quem começa a descrever os detalhes da mensagem com o objetivo de esclarecer ou persuadir os ouvintes é o de cair no outro extremo e se tornar prolixo. Lembre-se de que a cada dia mais as pessoas estão ocupadas, atarefadas e, por isso, exigem apresentações objetivas e diretas.
Essa é uma qualidade que exige muita prática, observação e bom senso. Foi assim que sempre atuou Troncoso Peres nos 50 anos em que freqüentou o tribunal do júri.
Foi assim que agiu Fiori Gigliotti também nos cinqüenta e tantos anos em que esteve à frente dos microfones criando e descrevendo quadros que em muitas ocasiões existiram apenas na imaginação dele.
Fiori partiu há dois anos. Nunca mais vou ouvir aquela voz que me acompanhou durante toda a vida. Ele esteve presente em uma época em que a televisão era privilégio de poucos e podíamos apenas contar com a magia do rádio.
Parece que estou ouvindo sua frase de despedida: 'fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira'. Que pena!

Fonte: Reinaldo Polito

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Desneurando especial de Natal: Escolher estar junto.




Eu me lembro de você brincando comigo antes mesmo de lembrar que podia falar, ou ter mais de dois dentinhos na boca. Me lembro de rir até a barriga doer, me lembro de comer aquela deliciosa mistura de chocolate que só você sabia fazer. Foram milhares de cenas, centenas de momentos, e anos de história, às vezes muito de perto... Ou muito de longe. Você faz parte da minha história tanto quanto eu faço parte da sua genética. 

No decorrer deste ano que agora se vai, posso afirmar que consegui muito mais do que sempre imaginei até pouco tempo que fosse capaz. Me desenvolvi, mudei, cresci, entre mais um leque de coisas, como você deve bem saber. No entanto, posso afirmar com a certeza absoluta no mundo que a minha maior conquista foi a de poder estar ao seu lado e fazer parte da sua vida de maneira tão real. Construindo dia a dia uma relação que vai muito além do sangue, com cada coisa dita, cada gesto de carinho e irmandade que surgiu entre nós. 

Eu queria te agradecer não apenas por este ano, e por ser tão importante para mim agora; Gostaria de agradecer pelo o que antes nunca havia sido devidamente grata; Agradecer por você existir, ser minha irmã e minha amiga. Uma vez você me disse que as verdadeiras amizades são recíprocas, raras e duradoras. Hoje, tenho a certeza que você, centímetro por centímetro conquistou a minha amizade (talvez até mesmo a única amizade) recíproca e duradora. Entre todas as novidades e conquistas que este ano realmente próspero me trouxe, você sem sombra de dúvida, foi à melhor delas. Que neste novo ano, tudo entre nós se fortaleça ainda mais, e que este seja o inicio de uma vida compartilhada de felicidade e amor. Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Desneurando: Reticencias e Receitas de bolo.



Antes de tudo, eu gostaria de pedir um milhão de desculpas lindas e recortadas em forma de coração, para todos vocês, leitores e leitoras lindinhos e lindinhas que entraram no meu blog infinitamente e se depararam com nenhuma postagem nova. TÁ, eu sei que eu foi vacilo, mas eu tenho uma explicação. Acontece que eu estava em fechamento de semestre na faculdade, e com outros mil afazeres e acabei me ausentando um pouco (mentira, eu sei que eu me ausentei muito)! Mas enfim, agora estou de volta, todos os dias, com matérias novinhas! E agora vamos ao post... 

Com o final do ano se aproximando, comecei a pensar sobre inícios e finais de ciclos. Sobre como cada atitude nossa imputa em um novo caminho ou o fechamento de mais uma etapa em nossa vida. Eu própria, me lembro que no fim do ano passado, terminando o ensino médio, e desempregada, tinha uma perspectiva muito diferente do caminho que eventualmente minha vida seguiria. Hoje, exatos doze meses depois, olho para trás como se houvesse se passado um longo período, olho no espelho, e me vejo a milhas de distância da pessoa que antes eu almejava ser. O mais engraçado disso tudo, é que mesmo com todas essas variações, eu nunca me senti tão bem comigo mesma. E é devido a esse fato que eu comecei a ver que estava na hora de romper algumas ligações passadas que já não faziam mais sentido para mim. De repente, eu olhei a minha volta e percebi que estava forte o suficiente para abandonar o porto e seguir sozinha, para aonde o vento resolver levar. Hoje já não sinto mais medo de estar sozinha, porque entendo que estar sozinha também é uma maneira de se sentir bem. Também entendo que não preciso estar abarrotada de elogios e pessoas falando ao meu respeito para me sentir querida, amada ou segura. Comecei a compreender que a única personagem fixa e principal da minha história, sou eu mesma, e que todos os outros, são atores de suas próprias aventuras e eventualmente farão uma participação especial em meus momentos, sendo estes curtos ou longos. Mas a resolução de tudo isso, é que por mais desgastante e complicado que seja dizer adeus para devido momentos de nossas vidas, é preciso libertar. É preciso deixar de olhar para trás, para poder enxergar o que vem adiante. A cada palavra dita, cada decisão que tomamos, cada curva que decidimos dobrar, os riscos que aceitamos correr, são o que constantemente afastam ou aproximam pessoas e oportunidades. Então vamos deixar estar; Vamos fazer de cada acontecimento uma surpresa do destino. Afinal, até mesmo as receitas de bolo nascem de acidentes. 


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Espaço Literário - Resenha

Oratória para Advogados e Estudantes de Direito – Reinaldo Polito




O livro é de linguagem bem acessível e agradável, contém ilustrações que complementam o texto e é dividido em duas partes. A primeira parte (que tem duração de cinco capítulos) refere-se à oratória do advogado, e a segunda parte (que tem oito capítulos) aborda diversas técnicas de apresentação, macetes para não se embaralhar durante discursos, como aprender a lidar com o medo de falar público, gesticulação e etc. Ao final de cada parte o livro contém alguns exercícios de fixação, que são bem interessantes, e servem para uma auto-avaliação do autor. 

Chamando atenção para a importância e a graça de ter uma boa oratória o livro se destaca entre demasiados livros desta mesma categoria, por passar a mensagem do livro como se fosse um manual, algo para se consultar, ou ler e reler diversas vezes. 

O primeiro capítulo é referente a como conquistar credibilidade em seu discurso, mostrando a importância de ter precisão nos fatos e argumentos estatísticos que servem fundamentalmente para enriquecer o debate de qualquer estudante/advogado. É necessário ser rígido, no entanto ter naturalidade ao tentar explanar uma idéia ou convencer alguém de qualquer determinado assunto. 

O livro se preocupa com todos os aspectos da comunicação, tendo inclusive uma parte redirecionada a voz, controle da respiração, sotaques e pronúncias, a importância de um vocabulário amplo e a expressão corporal. Para fechar essa parte, existe ainda uma parte com atitudes de não fazer, bem como: regras de etiqueta, gesticulação, atitudes desaconselháveis e etc. Fechando a primeira parte tratando da aparência e a sua importância, agregada a outros fatores. 

A segunda parte do livro começa com algumas dicas sobre planejamento e organização de ideias, seja em apresentações, seminários ou até mesmo em eventos informais. É necessário ter um roteiro, para não perder o foco do assunto. Ensinando técnicas para conquistar a platéia e ter presença notória seja no tribunal, sala de aula, ou palestra. Na sequência temos também algumas técnicas quanto à arte do improviso e maneiras de levar consigo frases e tópicos que podem funcionar como conectivos para que seja possível engrenar uma idéia na outra sem perder a linha de raciocínio. 

Com o término do livro, honestamente senti que tinha enriquecido em escala considerável não apenas o meu vocabulário, mas todo o mundo repertório de comunicação, a leitura é imprescindível para todos os advogados e futuros advogados; na verdade, arrisco-me a dizer que leitura é de grande teor instrutivo para qualquer ser humano político, que vê no decorrer cotidiano a necessidade de se expressar bem, firmando seu próprio cartão de visitas.

Papo Sério: O mito do mal governo.




Como todos vocês devem saber eu estou no segundo semestre do curso de Direito, e muito tenho refletido sobre principalmente questões políticas, muito mais até do que antes. Quem me acompanha nas redes sociais sabe que ontem eu tive minha primeira audiência, na qual tive a oportunidade de acompanhar um julgamento e ainda de quebra receber uma cópia do processo. Mas em meio a todo o enredo do crime e sua resolução, o que realmente me chamou a atenção foi o descaso da ré para com o defensor público. A ré em questão era descrita nos autos como analfabeta, e visivelmente percebia-se que ela vivia em uma condição miserável. Durante as acusações da promotoria, enquanto todos os olhares dos outros estudantes estavam focados fixamente a magnitude da estratégia e da presença da promotora (vale a pena dizer que ela foi incrível em sua tese, tanto no desenrolar quanto em seus pedidos e conclusão) eu me reportei a olhar para a ré, percebi que notoriamente ela não tinha o mínimo entendimento do que se passava a li, duvido até que tenha compreendido sua sentença até que seu defensor público a explicasse o resultando (momento em que ela caiu em lágrimas). Mas o que me traz a esta postagem hoje, não é para falar da extrema miséria que sombreava a figura da ré, ou da riqueza com que a promotora fazia sua tese de defesa, mas sim para falar do antagonista de toda essa história; o defensor público. Tratava-se de um rapaz novo, que mesmo ciente das chances de derrota, entrou em cena com grande entusiasmo e demonstrou criatividade e muito jogo de cintura ao arranjar maneiras de justificar a postura da acusada. Isso me fez refletir sobre como é ingrata a defensoria pública, aliás como a população se demonstra ingrata para com os benefícios oferecidos pelo governo. São órgãos de prestações de serviços que diariamente facilitam e dão suporte para milhares de brasileiros, sem nenhum reconhecimento. Deveriam mudar o nome de servidor público para funcionário invisível público. A questão é que o povo se mantém tão acostumado a criticar e cobrar ações do governo que de repente, tudo (e quando digo tudo, é absolutamente tudo mesmo) que acontece de errado, se torna culpa do governo e por efeito dominó, em cima destes trabalhadores que todos os dias fazem com que nosso cotidiano aconteça da melhor forma possível. Seja a rua que está suja, a educação que está "ruim", os políticos que "roubam", ou os advogados que "só enriquecem a nossas custas". Não é eximido que todas estas colocações devem ter algum fundamento, e uma porcentagem de verdade, no entanto, está na hora de parar de apontar com os dedos os defeitos de uma sociedade como culpa de apenas um. O governo não é uma ameba que engloba todo o nosso país e monopoliza toda e qualquer decisão fazendo com que cada pedra fora do lugar, esteja assim por sua vontade. O governo é um organismo vivo do qual todos participamos, seja limpando as ruas, prestando assistência gratuita a pessoas desfavorecidas, em Brasília, ou apenas sendo um cidadão comum. Nós influenciamos em proporções assombrosas em todas as atitudes e medidas aplicadas em nosso país. Somos nós, que cobramos educação, e nos recusamos a ler um livro, ou participar de uma reunião de associação de bairro. Somos nós que criticamos o trabalho do Poder Judiciário, mas nos reportamos aos defensores públicos quando necessitamos deles  e não temos condições de bancar. Então vamos ser a mudança que queremos ver no mundo, como já dizia Ghandi; chega de falar e agir como todos. Vamos ler mais, participar e se tornar um mecanismo fundamental na engrenagem da nossa sociedade. É assim que as mudanças começam, e é assim que se obtém progresso. Por que aí, no momento em que algo estiver indo de afronta ao que consideramos correto não vamos especular, vamos saber tanto quanto criticar, remediar. O governo somos todos nós, se você não gosta do que vê, pense que você mesmo pode estar dando sua contribuição para este declínio.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Espaço Literário: Analogia e retroatividade no Direito Penal




Dentro do Direito Penal a lei deve sempre ser clara a respeito do que se deseja punir. Mas o que acontece quando a lei deixa uma lacuna? Tendo em vista que o aplicador do direito não pode deixar sem resposta as questões expostas a sua apreciação, não havendo uma norma jurídica que se encaixe de forma especifica ao caso concreto, o juiz deve utilizar-se de meios que lhe couber como mais adequado para que haja aplicação das normas. 
O direito deixa muito espaço para interpretações, no entanto nenhum espaço para dúvidas. Doravante a isso, foram criados os princípios da analogia e retroatividade. Para que em casos extremos em que não houver solução eminente descrita em lei para o ocorrido, o juiz goze destes recursos fornecidos pela ciência jurídica para sentenciar os fatos. 
Essa necessidade de adequação absoluta entre a lei e o fato é o que muitos juristas chamam de princípio da mão e da luva, sendo a mão o fato concreto e a luva a lei que deve adequar-se ao ocorrido. 
Primeiramente, no quesito “analogia” tem-se a explanação da ideia de que os fatos de igual natureza devem possuir igual regulamento.  Mas além deste conceito básico são necessários alguns requisitos para a aplicação da analogia; o caso deve ser absolutamente não previsto em lei; deve-se existir elementos semelhantes entre o caso previsto e aquele não previsto, e este elemento deve ser essencial e não um elemento qualquer; a analogia só pode ser aceita no Direito Penal, quando in bonam parten, ou seja, em benefício do réu.
Quanto à retroatividade, a lei não retroage para prejudicar um individuo, jamais, e este é seu princípio básico. Se uma pessoa comete um crime hoje e a pena para tal feito é de 20 anos, o individuo será sentenciado ao cumprimento desta sanção; independentemente de um dia depois ser aprovado para o mesmo delito uma pena de 40 anos. 
Em suma, o direito penal aborda os mais extremos e diversificados casos, sendo impossível, mesmo com toda sua máxima grandeza abranger todas as ações comportamentais do ser humano. Diante disto, são necessárias as criações de saídas alternativas bem como a analogia e retroatividade, para que a lei não se faça irredutível em casos em que outros quesitos devem ser levados em consideração ou injusta a ponto de prejudicar o réu e tampouco agravar suas penalidades já estabelecidas. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Entre Aspas



"Um homem pode morrer, uma nação se erguer ou cair, mas uma ideia sempre vive "


John F. Kennedy

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Crônica: Escrever por escrever



Eu queria muito te contar o quanto a minha vida mudou, mas queria te contar do meu ponto de vista, sem julgamentos e sem opiniões, queria apenas que você pudesse ouvir, no mais doce e pacifico silencio de que eu preciso agora (já que isso tem sido difícil com tantas tarefas que você tem cumprindo ultimamente). 
Sabe, todas as manhãs eu faço o mesmo caminho, quando o sol ainda está nascendo e reflete direto nos olhos. Os carros fazem muito barulho, deve ser a pressa e a rotina, mas em  meio a tudo isso eu apenas caminho. Caminhando eu me sinto melhor, hoje eu sinto que subi uns dois degraus na piramide da vida, enxergo tudo com superioridade, como se finalmente eu pudesse ser o que eu quero ser, e nada mais. É estranho imaginar que você foi o fato propulsor para todas as mudanças e que hoje estas mesmas mudanças me afastaram de você, ao ponto de eu nem te reconhecer mais. É solitário pensar que eu tenho tanta coisa para contar e ninguém para ouvir. Todos os dias me acontece algo novo, e no fim de cada dia eu só consigo pensar em como eu queria poder te falar tudo isso. 
A faculdade é tão incrível, é tanta informação! Eu nem acredito que já está acabando o meu primeiro ano na faculdade, é como se os dias passassem como as páginas dos livros que eu folho bem rapidinho, na tentativa de gravar toda a matéria minutos antes das provas. As vezes eu me sinto sem folego, em meio a tantas novidades, tantas informações, as vezes é como se essa vida de adulto fosse uma onda, que me pega desprevenida e quebra bem em cima de mim, me empurrando para baixo, com muito mais força do que eu posso aguentar. 
É bom se sentir desafiada, competir espaço com tanta gente mais velha do que eu, e mesmo assim conseguir mostrar aos poucos o meu diferencial. O medo é claro, muitas vezes se faz presente, porque no fundo eu sei, que basta um grande erro para nos arrastar de novo para a largada; o ruim de viver em um competição, é saber que quando se trata da vida, o jogo só acaba quando a morte chega.Mas eu tento não pensar nisso.
Na maior parte do tempo se você quer saber, eu estou sozinha, e isso é bem solitário (salvo o pleonasmo). É sempre bom, ter um tempo para os pensamentos, para ficar sonhando, ou tentando organizar mentalmente seus próximos passos. No entanto quando a solidão se resume em dormir sozinha, acordar sozinha, e continuar respectivamente assim em todas as refeições e momentos de lazer do dia, aí o bicho pega. E é por isso que eu estou dizendo tudo isso agora. Queria que você entendesse o como eu estou completa e vazia ao mesmo tempo, sem ao menos saber distinguir o que me falta. 
Com o passar dos anos, dia após dia, tudo vai ficando cada vez mais estranho e complicado pra mim, eu vejo muitas pessoas, mas enxergo pouquíssimas, vejo seus esteriótipos, vejo a imagem que elas querem passar, escuto suas falas, mas não escuto nenhuma voz. Eu queria poder saber como elas ficaram assim, quando foi que o que os outros falam se tornou mais importante do que a fala delas próprias. Tudo ficou muito previsível sabe? É só ter alguém interessante no centro da conversa, que todos os ecos ao redor serão repletos de "Sim", e "Você tem razão". Eu espero honestamente que eu nunca fique assim, e nem você.
Eu acho que você deveria me ouvir mais, levando eu conta que eu estou para você, assim como você está para mim. Tente se lembrar da garota que queria mudar o mundo com as palavras, ao invés desta que quer ganhar o mundo com elas. Eu espero que agora, que eu te dei uma prévia desse meu momento, você perceba o quanto cada ação sua imputará na minha vida, e em cada um dos meus passos. Agora por favor acorde, este sonho já durou demais e nós temos que trabalhar, você tem mais um dia para vencer; E por favor, coloque aquela saia plissada nova, que cai tão bem em nós! Te espero de noite... Assinado: seu espelho lírico.